A profundidade exige cuidados…

Outro dia falei aqui sobre vivermos em uma era de superficialidades, momento histórico em que prevalece o fugaz, passageiro e raso. De dato, as pessoas, em geral, estão tomadas pelo sentimento pós-moderno e negam, em nome da superfície, a profundidade, tão característica à modernidade. Porém, acontecimentos do dia-a-dia demonstram que a profundidade exige cuidados, tanto no caminho de ida, quanto no caminho de volta, aliás, mais ainda no caminho de volta.

Não precisa de muito não, quem já assistiu filmes de mergulhador ou algum programa de canais de documentários de TV à cabo ou mesmo lembra um pouco das aulas de física do colégio, sabe que quanto mais fundo se vai, no mar ou no rio, maior é a pressão e essa pressão é perigosíssima, pois pode esmagar os órgãos do corpo e provocar, obviamente, a morte do mergulhador, ou mergulhadora.

Por isso, pra se atingir altas profundidades é necessário mais que um bom fôlego. É necessário treinamento, equipamento e apoios específicos, além de um processo que vai ajudar, dentre outras coisas, o corpo a se acostumar. Depois, quando já se mergulha e se explora com destreza o profundo, pra voltar à superfície é preciso despressurizar, de forma gradual e controlada, para evitar doenças que podem ser muito graves. Não se pode mergulhar “duma vez” e nem voltar do fundo “duma vez”.

Do mesmo modo penso que deve-se ter todos os cuidados quando se escolhe sair da superficialidade e mergulhar em águas profundas quando o assunto é conhecimento, reflexão sobre a realidade e compromissos. Se rodear de mergulhadores experientes, equipamento correto e estar disposto ao duro processo são pré-requisitos para o caminho de ida não se frustrar e turvar a visão do fundo. A volta exige mais cuidado, pois pode prejudicar mergulhos posteriores, além de debilitar o mergulhador em sua relação na superfície com doenças restritivas, ou até matar.

A profundidade é reveladora, mas exige seus cuidados! Um deles é assumir que no fundo do mar, ou do rio, por mais profundo que se esteja ainda há uma imensidão fora do alcance da vista e que, pra conhecer toda essa imensidão através de outros mergulhos, é preciso voltar, de modo gradual e controlado, à superfície, sempre certo também que essa superfície, embora seja apenas superfície, também é parte da mesma realidade que o profundo.

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