Por Lucas Cassab*
Quando o criador do blog Lendo o Mundo me convidou para escrever artigos semanais, me senti desafiado. Tentarei contribuir para o blog e para minha disciplina de escrever.
Há duas semanas atrás, em reunião da juventude do bairro Santa Cruz, na Zona Norte de Juiz de Fora, um companheiro afirmou que as escolas deveriam ficar abertas no final de semana para atividades sócio-culturais da comunidade. Diferente de como é hoje, a critério das prefeituras e dos diretores. Com este gancho, podemos começar aqui uma discussão importante: a necessidade de um estado mais uniforme, respeitando as diversidades brasileiras.
Não cabe aqui fazer um resgate histórico. É fundamental, mas falta espaço e pesquisa. Por isso, vamos partir da década de 90.
Durante os “anos perdidos”, ocorre uma avalanche ideológica de deslegitimação do estado. Um estado sem penetração, uma burguesia nacional sem projeto de sociedade, uma burguesia cada vez mais internacionalizada, movimentos populares em reorganização (após o assassinato de uma geração pela ditadura) fizeram com que a onda de desmonte do estado tomasse de assalto a sociedade. Deixamos de pensar o país, para, no máximo, pensar o nosso bairro.
Com o crescimento dos movimentos populares, representados pelo PT, fizemos a crítica a esse modelo de “não-estado”. Com a criação de uma nova governança, a partir do povo organizado, decidindo e intervindo sobre seu futuro, tanto no legislativo, com inúmeros mandatos coletivos, como no executivo, através do orçamento participativo e do fortalecimento dos conselhos, os movimentos conseguem ganhar o debate na sociedade e elegem um presidente.
Conseguimos fazer com que o estado apareça para a sociedade, tanto para o povo como para a burguesia. Implantamos políticas universalizantes, destacando-se na questão de renda mínima e política assistencial. Mas não conseguimos a presença uniforme do estado nas questões educacional e de participação popular.
Em relação à educação, tema escolhido para este artigo pelo companheiro de Santa Cruz, precisamos colocar:
- realizamos um programa universitário com uma única meta: ter mais alunos. Não pensamos um projeto de reorganização da educação e no papel da universidade na sociedade. Muito menos na gestão. Continuamos à mercê de cada gestor, que inclusive, pode até se negar a realizar a expansão.
- no ensino médio e fundamental, avançamos pouco com o programa Escola Aberta, que ainda não foi expandido para o interior. Ou seja, em termos de uma universalização do estado, na área educacional, ainda estamos deixando a desejar.
Em resumo, não conseguimos avançar na gestão do estado. Não conseguimos, minimamente, modificar na essência, através de mecanismos permanentes, a gestão. É claro, que como estamos no poder, mudamos totalmente a relação política, temos uma relação mais republicana com os municípios e estados, com os movimentos, porem não conseguimos transformar isso em atitudes permanentes. Não se tem a obrigação, em outro governo, de seguir o que estamos fazendo.
Esse será um grande desafio de um governo Dilma, conseguir avançar na gestão do estado, atualizar seus mecanismos decisórios, transformar num estado mais uniforme e presente na vida das pessoas.
*Trabalhador do Banco do Brasil, Dirigente da CUT de Juiz de Fora.
**O Lendo o Mundo é um espaço colaborativo e publica artigos de parceiros interessados em divulgar suas leituras do mundo conosco.
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