Educação Inclusiva: ILUSÃO OU UTOPIA?
Por Kamille Vaz*
Nesse momento estou me
propondo escrever sobre a difícil tarefa de incluir alunos especiais nas escolas regulares. A princípio, considero elementar discutirmos sobre a ideia de inclusão. Pois, haja visto que a educação inclusiva está cada dia mais presente no cotidiano escolar, visando alcançar a educação para todos tão proclamada. Contudo, esta proposta educacional é vista como uma política pública que em meio a uma sociedade capitalista se configura como uma alternativa de compensar anos de exclusão e segregação no ambiente escolar.
Sabemos que a política de inclusão se constitui, na prática, através do incentivo à matrícula de crianças portadoras de necessidades educacionais especiais no ensino regular independente de suas necessidades. De tal modo que, a palavra ILUSÃO não se configura aqui, já que os alunos especiais nas salas de aulas é um fato! Mesmo que muitos ainda insistam em persistir na ideia da inclusão como uma ilusão.
De tal modo, como trataríamos do tema inclusão como uma possível ilusão diante dessa realidade que estão enfrentando nossas escolas? Mesmo sabendo que na prática, esses alunos estão sendo excluídos do processo escolar, pois a politica de inclusão não assegura mudanças no contexto educacional, que são cruciais para a efetivação da inclusão. Assim, nos parece ainda mais clara a ideia de que a inclusão que estamos vivendo é uma máscara, uma forma de percorrer um caminho paralelo da educação como direito subjetivo, sem mudar a estrutura dominadora da escola. Michels (2006) compreende que “[...] a atual reforma educacional se esforça para promover mudanças, porém não propõe a transformação da própria escola, uma vez que mantém as relações já existentes”. Quando nos referimos a crianças que já sofrem com o pré-conceito da sociedade, nos deparamos com o conjunto de exclusão também dentro do ambiente escolar, onde deveria ser um espaço de socialização e aprendizagem, acaba por se transformar num aparelho reprodutor da sociedade.
Portanto, seria mais eficaz e satisfatória a ideia de que, na verdade, a inclusão, nos dias de hoje, se trata de uma UTOPIA, uma ideia que não condiz com a realidade, uma forma fantasiosa de ver as coisas. Entretanto, mesmo contraria ao próprio significado da palavra consideramos utopia também como uma ideia de se pensar longe, alçar novos rumos, mesmo que pareçam distantes.
Ou seja, mesmo que pareça surreal a política de inclusão ser colocada em prática, com todos os instrumentos capazes de assegurar a educação de qualidade, salientamos que de uma forma ou de outra, esses alunos tem sues direitos assegurados por lei de estarem frequentando as escolas regulares. Agora, nosso papel como educadores e cidadãos é garantir esse acesso e cobrar do Estado, dos órgãos governamentais o que também está garantido por lei: “Educação pública, de qualidade e para todos”.
A discussão sobre a qualidade, o papel dos professores e da escola faremos em outra oportunidade.
*Orientadora Educacional da rede pública estadual de Minas Gerais, Especialista em Educação Inclusiva
Texto originalmente publicado no Jornal Alpes da Mantiqueira
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MICHELS, M. H. Gestão, formação e inclusão: eixos da reforma educacional brasileira que atribuem contornos à organização escolar. Revista Brasileira de Educação, v. 11, n. 33, set./dez. 2006, p. 406-423.






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