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Posts Etiquetados ‘Educação infantil’

Infância: o nascimento e o aparecimento de uma novidade

22 de julho de 2011 Deixe um comentário

Por Maira dos Reis*

Pensar a infância é partir de um processo de desconstrução sobre o que aprendemos sobre ela. Jorge Larrosa ao falar sobre “O enigma da infância” cita que: “…a presença enigmática da infância é algo radical e irredutivelmente outro, ter-se-á de pensá-la na medida em que sempre nos escapa: na medida em que inquieta o que sabemos   (e inquieta a soberba da nossa vontade de saber), na medida em que suspende o que podemos   ( e a arrogância da nossa vontade de poder) e na medida em que coloca em questão os lugares que construímos para ela ( e a presunção da nossa vontade de abarcá-la).

Ao longo da história nos deparamos com moldes prontos sobre a infância. Como tratá-las, como vesti-las, o que se espera delas em cada etapa, como se todas fossem iguais. Muitas vezes esperamos delas comportamentos e responsabilidades que não as pertencem. Tiramos a oportunidade de viver essa infância como criança.

Decorrente desta realidade há crianças desmotivadas a aprender, pois não encontram significado nesta aprendizagem que muitas vezes é ministrada de forma homogenia, deixando de considerar a especificidade de cada uma delas.

Compreendemos que para haver aprendizagem tem que haver desejo de aprender, mas muitas vezes ensinamos a nossas crianças algo muito longe do que é real para elas, e isso as leva ao rápido esquecimento.

À medida que pensamos a infância como algo novo, um verdadeiro início, descaracterizamos essa criança adultizada, e passamos a ver nela um processo de descontinuidade, que cada uma tem a oferecer uma novidade. O nascimento e o aparecimento desta novidade interrompem com todas as expectativas e faz delas um ser único que têm muito a acrescentar, pois a cada nascimento é revelado algo novo para aprender.

É preciso entender que há palavra na infância, tratá-las como se fossem seres que ainda não são, porque não falam, não possuem razão nem linguagem, nos restringe a ver a infância como algo que simplesmente nasce para dar continuidade aquilo que já projetamos a ela sendo meros repetidores de histórias já conhecidas.

Neste contexto, as instituições de ensino têm um papel fundamental. A infância passa a ser explicada oferecendo aos educadores a capacidade de intervir, mudando assim o ambiente que acolhemos essas crianças.

Assim como Sócrates, precisamos defender que há palavra na infância; “essa fala não aceita deixar de ser fala, que mesmo não sendo ouvida, ela insiste em ser pronunciada”, partindo disto podemos entender esse processo de descontinuidade e tudo que ela tem a nos ensinar como educadores.

Mesmo sabendo tanto sobre a infância, ainda podemos dizer que há muito a descobrir. O que sabemos se dá como meta, como tarefa e como itinerário pré-fixado; pois crianças têm sede de coisas novas, de alegrias desconhecidas, de sensações jamais vividas e são elas que podem colocar em risco essa Sociedade Moderna.

*Professora e Coordenadora de Creche da rede pública municipal de Itajubá. Faz especialização em Educação Infantil no Instituto Federal do Sul de Minas.

Especialista fala sobre profissionalização na educação infantil

16 de junho de 2010 1 comentário

o Professor Luiz Araújo é um respeitado especialista do setor educacional brasileiro. Tem mestrado em educação pela UnB (Universidade Federal de Brasília), já foi Secretário Municipal de Educação de Belém/PA (1997-2002), Presidente do INEP/MEC (2004-2006), assessor parlamentar no Senado e atuamente é consultor da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação). Ele mantém um blogue, onde escreve sobre assuntos da atualidade  e analisa a conjuntura educacional. Nos dias 14 e 15 de junho publicou dois artigos sobre a precarização do trabalho na educação infantil. Tomei a liberdade e vou publicar o segundo deles aqui no Lendo o Mundo, mas recomendo a todos os nossos leitores visitarem o blog do Luiz Araújo pois lá encontrarão conteúdo de muita qualidade e boa fundamentação para formar sua opinião sobre política educacional. A seguir reproduzo o artigo completo que é bem pertinente a um debate que temos feito bastante aqui na educação municipal. Já adianto que concordo (e sempre concordei) plenamente com ele!

FORMAS DE PRECARIZAR – 2

Por Luiz Araújo

Um dos entraves que hoje está sendo vivenciado pelos municípios brasileiros diz respeito à existência de diferentes tratamentos dados para o cargo de professor que atua na educação infantil.
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Deputados dizem não à inclusão de crianças de 5 anos no Ensino Fundamental

21 de maio de 2010 4 comentários

Aconteceu ontem, 20 de maio, na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, Audiência Pública para debater o Projeto de lei 6755/10 e apensados (outros PLs que tratam da mesma matéria). Trata-se de matéria aprovada no Senado (PLS 414/08), de autoria do Senador Flávio Arns (PSDB/PR) que propõe que a entrada obrigatória no ensino fundamental seja iniciada aos 5(cinco) anos de idade e não aos 6(seis) anos conforme a legislação vigente. O referido projeto de lei vem causando furor entre especialistas, gestores e movimentos sociais da educação desde sua aprovação e envio para a câmara federal, conforme já mencionamos no Lendo o Mundo recentemente.

Para a audiência foram convidados o Diretor de Concepções e Orientações Curriculares para Educação Básica do MEC, Carlos Artexes Simões, o Presidente da União Nacional de Dirigentes Municipais de Ensino (Undime), Carlos Eduardo Sanches, a professora universitária Gizeli Souza (UFPR), que na ocasião representava o Movimento Interfóruns de Educação infantil do Brasil (MIEIB) e a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação (Anped) além do Presidente da Rede Nacional Primeira Infância, Vidal Didonet. No debate manifestaram-se também Deputados presentes, com destaque para Fátima Bezerra (PT/RN), Ivan Valente (PSOL/SP) e o relator do PL, Deputado Joaquim Beltrão (PMDB/AL), que demonstrou sensibilidade às explanações da mesa (convidados), às falas de deputados e participantes, todos contrários à inclusão de crianças de 5 anos no ensino fundamental. Nesse texto apresentamos uma síntese da audiência, que assisti pela internet através do site da câmara. Leia mais…

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