Informativo de Greve dos Servidores da Unifei_22 de Agosto
Para ler o Informativo, clique abaixo:
INFORMATIVO DE GREVE_Técnico-Administrativos da Unifei_22 de agosto
Para ler o Informativo, clique abaixo:
INFORMATIVO DE GREVE_Técnico-Administrativos da Unifei_22 de agosto

Há algum tempo a Federação dos Sindicatos de Servidores das Universidades Brasileiras, FASUBRA, vem realizando um debate sobre a redução da jornada de trabalho dos servidores técnico-administrativos, sem redução de salário. Essa discussão, obviamente não tem fundo simplesmente economicista, mas está inserida em uma concepção de serviço público e essa vinculada a uma concepção de Universidade e de Estado. Especificamente da nossa parte, compreendemos que o Estado deva ter um papel protagonista na promoção do desenvolvimento econômico, social e humano da sociedade, realizando esse projeto através de instituições estatais que garantam direitos fundamentais e impulsionem a sociedade e cada indivíduo para o melhor possível. A Universidade Pública, inserida nesse contexto, tem papel fundamental uma vez que cabe a ela a formação de profissionais altamente capacitados para entender a realidade que os cerca intervir nessa de modo a melhorá-la. Também é seu papel o desenvolvimento da educação, da ciência e tecnologias, sem os quais não há desenvolvimento e inclusão social.
Entendendo o lugar estratégico da universidade, sobretudo a pública federal, na impulsão de um projeto nacional, referenciado na democracia e na inclusão social, é que admitimos a especificidade do serviço prestado por ela. Mas a universidade é um ente, uma organização autônoma e independente, com inteligência própria? Não! Ela é a síntese daqueles que cotidianamente se dedicam a fazer suas engrenagens funcionarem, ou seja, de sua comunidade, composta por alunos, servidores docentes e servidores técnico-administrativos.
Embora os alunos sejam cada um transitório, o seguimento discente é permanente e como tal constrói sua intervenção histórica na instituição, contribuindo e se envolvendo mais ou menos segundo sua concepção de mundo e de universidade, se de mero consumidor ou de agente construtor de uma história. Especificamente a eles deve caber a responsabilidade de questionar, de, parafraseando Rosa Luxemburgo, se movimentar em seus diversos movimentos e se movimentando, fazer a universidade perceber as correntes que a prendem.
Os servidores docentes, responsáveis diretos pela atividade fim das IES, gozam de relativo reconhecimento no que diz respeito à sua importância e papel histórico na universidade e na sociedade. Embora defasado o reconhecimento financeiro se comparado com outras carreiras do serviço público federal, há sobre a carreira docente um conjunto de condições especiais, as quais expressam, mesmo que palidamente, o entendimento institucional da especificidade de suas funções.
Nós técnico-administrativos, responsáveis diretos pelas atividades meio da universidade, ainda vivemos uma situação de subvalorização, tanto do ponto de vista financeiro como do ponto de vista institucional. Não temos reconhecidas as especificidades de trabalhadores em educação, co-responsáveis por uma das instituições mais importantes em um país, a Universidade. Assim, vimos construindo, muitas vezes em conjunto com os demais segmentos e outras não, uma história de lutas e de conquistas, porém ainda há muito que fazer.
Entendemos que a Universidade deve promover o conhecimento e o desenvolvimento intelectual de toda sua comunidade, pois o capital cultural de uma sociedade e instituição é fator importantíssimo na garantia de seu sucesso. Assim os técnico-administrativos devem ter condições institucionais de acesso aos bens culturais e intelectuais produzidos pela Universidade e pela sociedade, assim como espaço e tempo para intervir, se capacitar e inclusive produzir conhecimento, contribuindo com o seu olhar para a melhoria da universidade.
Esse é um dos aspectos fundamentais que sustentam a reivindicação da flexibilização da jornada de trabalho, com redução de carga-horária sem redução de salário, pois devemos superar a concepção, expressa pela prática, na legislação e no discurso, de que o técnico-administrativo está a serviço dos demais segmentos e em patamar menor. Devemos avançar para a construção de uma nova cultura que supere a divisão social do trabalho entre o que pensam e os que executam.
Outros fatores devem ser considerados nesse debate, como por exemplo, o funcionamento ininterrupto da instituição, garantindo atendimento à comunidade universitária em sua necessidade plena, considerando os cursos noturnos e o tempo disponível inter-aulas para que os alunos acessem servidos diversos. Também a produtividade deve ser considerada buscando evitar excessivas interrupções, o desfio de função, retrabalho, centralização de funções/atribuições e o subaproveitamento. Ambos fatores colocam a flexibilização da jornada dos técnicos como opção de gestão vinculada à decisão estratégica de melhora atender à comunidade, como entendemos que deve ser, ou seja, a jornada de 30h não deve ser entendida somente como uma reivindicação corporativa, mas sobretudo como uma resposta administrativa, legal e institucionalizada, à necessidade da própria universidade. Em fim, para o bem da administração.
Últimos comentários